A partir de março Goiás terá o Caminho de Cora Coralina, inspirado no Caminho de Santiago da Compostela, na Espanha.

Ponte em Pirenópolis – Foto: Pixabay

A trilha de 282 km foi traçada com base em relatos de viagens realizadas desde o século 18 e passa por regiões com morros verdes, paisagens deslumbrantes e um céu livre da poluição das grandes cidades.

O título Cora Coralina foi dado em homenagem a um dos principais nomes da literatura goiana, a poetisa que nasceu em 20 de agosto de 1889, ficou famosa por retratar a simplicidade do cotidiano dela e publicou seu primeiro livro aos 75 anos.

A trilha

O caminho Cora Coralina começou a ser demarcado em 2015, onde fica uma trilha histórica usada por bandeirantes há centenas de anos.

Ela será inaugurada oficialmente em março e poderá ser visitada por aventureiros interessados em conhecer as belezas naturais e a cultura do estado que abraça o Distrito Federal.

A trilha pode ser percorrida de bicicleta, a pé ou a cavalo – carros não conseguem atravessar inúmeros trechos – com auxílio de GPS ou mapa.

Os viajantes vão viajar entre as belezas do cerrado, residências dos séculos 18 e 19, ruínas de antigas lavras de ouro, fazendas e cidades históricas.

Ponte em Pirenópolis – Foto: Pixabay

Ao contrário do Caminho de Santiago de Compostela – percurso de peregrinos para venerar as relíquias do apóstolo Santiago Maior, que teria seu sepulcro na catedral de Santiago de Compostela – o Caminho de Cora Coralina terá outras contemplações.

“A intenção é tematizar o roteiro em cima da poesia, de paisagem, de gastronomia e de cultura. A poesia será um diferencial”, diz João Lino, gerente de projetos, produtos e pesquisas turísticas da Goiás Turismo, agência de turismo do estado, ficou responsável pela pesquisa de campo e pelo conceito do caminho.

Onde

O caminho começa em Corumbá de Goiás, município com pouco mais de 11 mil habitantes e a 140km de Brasília.

Termina na Cidade de Goiás, antiga capital do estado, mais conhecida como Goiás Velho, e local de nascimento da poetisa cujo nome batiza a trilha.

Passa, ainda, por outras cidades históricas, como Pirenópolis, Jaraguá, Itaguari e Itaberaí.

Em todos os oito municípios por onde o caminho passa, há locais para hospedagem, especialmente nas cidades maiores.

Em Corumbá, a trilha começa próxima a um trecho composto por casebres, fazendas e sítios.

Há duas opções de início: uma perto do Terminal Rodoviário, na qual se atravessa um pequeno trecho de mata (o percurso pode ser irregular para ciclistas ou pessoas montadas em cavalos); a outra começa perto da rodovia GO-225, na subida da Avenida São João.

5 dias de trilha

O ideal para conhecer a trilha toda é reservar 5 dias de viagem.

Reginaldo Moronte, 41, conheceu o caminho em 2015 , a convite de um amigo. Ele é integrante de um grupo de ciclistas e morador de Caldas Novas (GO)

“O melhor jeito de fazê-lo é caminhando, de bicicleta ou montado em algum animal. Mas é necessário preparo físico. Não pode ser qualquer cicloturista. É necessário, ao menos, um ano de prática. Podem acontecer acidentes, então o ideal são, no máximo, 10 pessoas por grupo”, recomenda.

O grupo de 9 pessoas parou em restaurantes, hotéis e pousadas nas cidades visitadas para comer ou passar a noite.

Mas Reginaldo diz que três dias não foram suficientes para conhecer todos os atrativos.

“O mais difícil foi o trecho de um morro. Mas, fora isso, passamos por locais maravilhosos. Deixamos alguns pontos de fora, como a Fazenda Babilônia (em Pirenópolis) e cachoeiras, porque fizemos o caminho em três dias. Em cinco dias, porém, teríamos conhecido tudo”, observa.

Para Goiás, é um projeto interessantíssimo. O percurso não é tão puxado, mas também não é para qualquer um. Precisei traçar o caminho com ajuda de mapas na internet”, analisa o médico, Alvaro Luis de Paula, 56, que fez o Caminho de Cora Coralina com Reginaldo e voltou em 2017. “

Sinalização

“Hoje, temos de 50 a 60 km do caminho sinalizado. Temos usado pinturas nas árvores e postes, porque, assim, não há risco de danos a elas. Estamos contando com apoio da comunidade e de voluntários para auxiliar nesse processo. Além de gerar menos custos e uma sensação de pertencimento, esse tipo de ação trabalha a educação ambiental, cultural e turística dos moradores da área”, destaca João Lino.

Na última quinta-feira, mais 17 km da estrada, entre Caxambu e Radiolândia, foram sinalizados.

“É um processo que não acaba, porque temos de revisá-la (a sinalização) a cada três meses. Antes do lançamento (oficial), vamos providenciar o cadastro de locais de hospedagem, suporte para alimentação, locais para banho, mas isso é desenvolvido com a própria comunidade”, diz Alessandro Abreu, cientista ambiental, morador de Goiânia e voluntário do projeto.

O lançamento oficial do Caminho de Cora Coralina está previsto para 23 de março.

Até lá, o projeto inclui a divulgação do mapa oficial de todo o percurso, de uma planilha para os usuários caminhantes e cicloturistas e de um site do projeto

Os participantes do projeto também pensam em criar um sistema de passaporte semelhante ao usado em outras trilhas famosas.

Segundo Alessandro, a proposta permitirá que o turista colecione carimbos em pontos específicos ao longo do trajeto.

Até lá, o governo goiano segue sinalizando a estrada e tentando negociar a cessão de passagem por estradas particulares.

Fontes: Sonoticiaboa / Correios Braziliense

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