Maior ultramaratona de MTB das Américas e uma das mais difíceis provas por etapas do mundo, competição reúne diversos campeões olímpicos, mundiais e continentais entre 21 e 27 de outubro, no Extremo Sul da Bahia. Evento tem transmissão ao vivo na fan page oficial

Trilhas de diversos níveis fazem parte do desafio (Ney Evangelista / Brasil Ride)

A nona edição da Brasil Ride tem início neste domingo (21), em Arraial d’Ajuda, em Porto Seguro, e não faltam temperos para apimentar a maior ultramaratona de MTB das Américas e uma das mais difíceis provas por etapas do mundo. Entre os 540 inscritos nas nove disputas em jogo, diversos ciclistas são campeões nos mais diferentes níveis. Um ouro Olímpico, com o holandês Bart Brentjens, vencedor de Atlanta-1996, quatro Mundiais somados, com dois do belga Roel Paulissen, e um do português Tiago Ferreira, e outro do petropolitano Henrique Avancini, tendo os dois últimos já vencido também os campeonatos de seus continentes. Diversos títulos continentais com o russo Alexey Medvedev, atual campeão Europeu, Raiza Goulão, campeã Pan-Americana de 2018, e a zimbabuana Stacey Hyslop, vencedora do Africano na sub-23.

Entre os 540 inscritos, 22 países estão representados na nona edição da Brasil Ride: Antilhas Holandesas, Alemanha, Argentina, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Espanha, Estados Unidos, Grã Bretanha, França, Holanda, Itália, Letônia, Portugal, República Tcheca, Rússia, Suíça, Venezuela e Zimbábue. “Em cada Brasil Ride chegamos aos dias que antecedem ao evento convictos de que fizemos o nosso melhor em todas as áreas da nossa ultramaratona. A grande procura de atletas do mundo inteiro nos dá a certeza de que seguimos no caminho certo. A nona edição tem tudo para ser histórica. Ou seja, quando completarmos dez anos em 2019, sabemos da importância de realizarmos outra vez o melhor evento de ciclismo que o País já viu”, destaca Mario Roma, fundador da Brasil Ride.

Na briga pela Camisa Amarela, a de melhor dupla na elite masculina, não faltam postulantes ao título. Duplas como Henrique Avancini e o alemão Manuel Fumic (Cannondale Factory Racing), Tiago Ferreira e o holandês Hans Becking (DMT Racing Team) e Alexey Medvedev e o italino Francesco Failli, são as favoritas, em teoria. No entanto, estão confirmados times como o dos espanhóis Alberto Losada e Ibon Zugasti (Orbea Factory Team), o de Roel Paulissen e do brasileiro Hugo Prado Neto (OCE/Cannondale), do alemão Julian Biefang e do belga Bram Sayes (Embrance The World Cycling), do português José Dias e do brasileiro Sanderson Celso (DMT Racing Team II), dos alemães Christopher Maletz e Tommy Galle (White Rock), do austríaco Wolfgang Krenn e do belga Joris Massaer (Bike Team Kaiser/SC Liezen), entre outros, que prometem botar fogo na disputa.

Ultramaratona Brasil Ride (Fabio Piva / Brasil Ride)

Outra camisa que estará em jogo na elite masculina é a Branca, de melhor dupla das Américas, todas elas com chances de disputarem o pódio geral. Atuais campeões, Mario Veríssimo e Kennedi Lago (Squadra Oggi) vão tentar o bicampeonato. Além deles, são favoritos na disputa das Américas duplas como Halysson Ferreira e Nicolas Machado (Tropix Factory Racing Team), Lukas Kaufmann e Sherman Trezza (Cannondale Brasil Racing), José Gabriel Marques e Bruno Lemes (Groove Corratec Team), Wolfgang Olsen e Edson Rezende (Caloi Avancini Team), Ricardo Pscheidt e o venezuelano Yonathan Mejia (Trek/Shimano), entre outras.

Elite feminina – É grande a lista de equipes que prometem fazer frente às atuais campeãs da Brasil Ride, Raiza Goulão e a francesa Margot Moschetti, com parcerias estrangeiras e também nacionais: a campeã brasileira Jaqueline Mourão e a canadense Cindy Montambault (Jacky & Cindy); a norueguesa Marianne Bergli e a zimbabuana Stacey Hyslop (Ciovita); a portuguesa Ilda Pereira e a espanhola Mayalen Noriega (Casa Myze Team); as norte-americanas Hanna Finchamp e Kaysee Armstrong (USA Adventure Girls); Roberta Stopa e Sabrina Gobbo (No Limits Team); Ana Luisa Panini e Karen Olimpio (Power Girls Kana); Viviane Favery e Marcella Toldi (Cannondale Brasil Women); as espanholas Sandra Santanyes e Anna Ramirez (Olympia / Esteve Team); entre outras.

História do MTB feminino na prova – Além da expectativa de ter a disputa mais equilibrada entre as mulheres até hoje, uma vez que foi batido o recorde da prova, com 36 inscritas na elite feminina e o total de 65 mulheres com a soma das duplas mistas, a Brasil Ride juntará em seu pelotão 18 dos 30 títulos brasileiros do cross country olímpico (XCO) feminino na história do País, entre 1989 e 2018. Jaqueline Mourão, com cinco títulos, Raiza Goulão, com três, e Roberta Stopa, terão a companhia da maior vencedora do mountain bike nacional na modalidade XCO, Adriana Nascimento, campeã nove vezes, oito entre 1995 e 2002, e eneacampeã em 2007, que competirá na categoria corporativa com o presidente da Specialized Brasil, João Firmo, e o representante da marca Carlos Taguá.

 

Henrique Avancini e Jiri Novak (Marina Magalhães / Brasil Ride)

Duplas mistas – Se existe uma categoria na edição de 2018 da Brasil Ride em que é impossível limitar a duas ou três equipes favoritas, esta é a das duplas mistas. Desde 2014, os campeões se alternaram no topo do pódio. Neste ano, não será diferente, pois Sonya Looney e Gordon Wadsworth não estarão na disputa para defender o título no extremo Sul da Bahia. Vice-campeões em 2017, Celina Carpinteiro e José Silva, da equipe Silva & Santos, poderiam ser apontados como principais candidatos ao título, por suas recentes experiências no evento. No entanto, outros times prometem elevar o nível da categoria.

São os casos das duplas formadas pela belga Vladi Pokobova, experiente em provas de etapas, e o brasileiro Renan Silva (Specialized Mix); dos portugueses Ana Antunes, atual campeã nacional, e André Rocha (Ser e Parecer Pro Bike Team); dos argentinos Valeria Urruchua e Hernan Dattilo (Mongoose Adventure Team); da postulante a uma vaga em Tóquio-2010 e campeã feminina em 2016 da Brasil Ride, Letícia Cândido, e seu companheiro Francisco Silva (Audax FSA Team); e da alemã Naima Diesner e Luis Fernando Zogaib (Full Gas Team). Essas e outras parcerias, entre mais de 30 equipes, tornam a disputa pela camisa verde uma luta completamente imprevisível.

Máster – Uma mudança de parceiros de equipe promete trazer novas emoções a uma categoria da Brasil Ride em que poucos ciclistas sagraram-se campeões. Na nona edição da ultramaratona, uma dupla pentacampeã da máster não poderá ser formada. Após cinco temporadas, o holandês Bart Brentjens e o multicampeão nacional Abraão Azevedo, vencedor em todas as edições da prova, não estarão pedalando juntos, pois o ciclista brasileiro recupera-se de uma lesão na coluna.

Assim, a lenda do ciclismo mundial, Bart Brentjens, vai buscar o hexacampeonato na competição com um novo parceiro: o belga Ignace Spruyt, que disputou a ultramaratona nas última três edições. Em oito anos da Brasil Ride, Abraão Azevedo escreveu seu nome ao ser o único ciclista a vencer todas edições até então. Antes de competir com Bart Brentjens, vencendo de 2013 a 2017, Abraão teve como parceiros os ciclistas Plinio Souza, em 2010, e Paulo Freitas, nos dois anos seguintes. Assim, a categoria máster conta com apenas quatro campeões em toda sua história.

Grande máster – Na grand master, a dupla que detém o título de campeã da Brasil Ride também tem alteração neste ano. Companheiro do argentino Pablo Rodriguez em 2017, o eslovaco Peter Vesel não disputa a prova na nona edição. Assim, Pablo vai em busca do bicampeonato da categoria competindo ao lado do venezuelano Raul Navarro, vice-campeão na última temporada, ao lado do sul-africano Deon Wilkins.

Red Bull Zera o Pico – Para descer, todo santo ajuda. Mas, para subir, a história é outra. A dificuldade é ainda maior quando a subida é de terra, repleta de valas, com um forte desnível e após 300 km em quase quatro dias acumulados de pedal. Esse é o Red Bull Zera o Pico, um desafio especial dentro da quarta etapa da Brasil Ride 2018, na próxima quarta-feira (24). Todos os participantes estão automaticamente inscritos no desafio e terão que mostrar boa técnica e muito esforço na “Subida das 7 Voltas”, com 1,7 km de extensão, para levar a jersey e o troféu de vencedor para casa. O desafio tem premiações individuais, divididas em: profissional (masculino e feminino) e amador (masculino e feminino). As categorias amadoras incluem todos os competidores inscritos nas categorias masculino, feminino, mista, máster, grande máster, corporativa e nelore.

Subir uma montanha pedalando e sem colocar os pés no chão, especialmente quando o trecho é técnico e inclinado, tem um significado especial no mountain bike, como afirma o atual campeão do Brasil Ride, campeão mundial de XCM e grande favorito ao título deste ano, Henrique Avancini. “Zerar um pico é uma coisa muito emblemática para os mountain bikers. Significa conquistar a montanha de uma maneira diferente. Obviamente, a gente quer sempre ir de um ponto ao outro, mas quando você consegue passar pedalando, a conquista é diferenciada”, analisa Avancini, atual campeão da ultramaratona.

A ultramaratona – Considerada a Giro d’Itália do MTB mundial, a prova marcada para os dias 21 a 27 de outubro, no Extremo Sul da Bahia, oferece um desafio e tanto para os 540 atletas do mundo inteiro. Durante sete dias, os participantes têm pela frente cerca de 600 km e quase 11.000 m de altimetria acumulada, entre trilhas e estradas de terra que ligam Arraial d’Ajuda, em Porto Seguro, a Vila Brasil Ride, construída em Guaratinga.

No sétimo e último dia da competição, o sábado (27), mais de 1.200 ciclistas de todo o País juntam-se às estrelas do mountain bike internacional, para a disputa da Maratona dos Descobrimentos. Uma oportunidade única de pedalar e ver de perto os melhores mountain bikers do mundo.

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