Desde criança, ainda por incentivo de meu pai, eu sempre gostei de bicicleta, e sempre achei o fato de andar com ela, algo extraordinário.

Digo extraordinário pois pelo simples fato de você se manter equilibrado sobre duas rodas, movimentando o “veículo” por meio de sua força e ainda tendo que prestar atenção em várias coisas e obstáculos que estão ao seu redor, vejo que não seja algo tão fácil de se fazer.

A bicicleta, nos últimos anos, tem sido algo que vem aparecendo de forma corriqueira nos meios de comunicação, como TV, rádio e etc. Muito se fala sobre sustentabilidade, sobre mobilidade, principalmente nos grandes centros urbanos onde cada vez mais os espaços que ainda restam, são bastante concorridos.

De fato, já tive a experiência de poder ir trabalhar de bike e confesso que não é algo muito agradável, mas bastante recompensador. Vamos ser sinceros, a maioria das cidades não oferece a mínima segurança ao ciclista, motoristas cada vez mais apressados e atrasados não lhe darão a vez – mesmo que você a tenha. Ciclovias, é uma coisa ainda distante. Resta andar pelo acostamento, que não é nada convidativo, principalmente em horários de pico. Nossos locais de trabalho (sejam públicos ou privados) ainda estão à anos luz de uma infra estrutura mínima para podermos nos arrumar e tocar nossos afazeres diários. Na volta pra casa, já tomei muitos finos de caminhões e ônibus, e outra, parece que os motoristas apertam o acelerador ainda mais um pouco para chegarem mais cedo em casa.

Mesmo com estes problemas e empecilhos todos, digo de todo o coração que foram experiencias inesquecíveis e enriquecedoras para a minha pessoa, enquanto ser humano.

Dai você me pergunta: Ok, me contou uma historinha que mais desmotiva que motiva, que nossas cidades tem trocentos problemas relacionados à mobilidade e problemas de infraestrutura, ficando a seguinte pergunta. Porque eu deveria pedalar?

Meu objetivo com este artigo não é motiva-lo a pedalar. E não é não? Não meu amigo (a).

Aprendi que a motivação é algo que vem de dentro e só quem pode ter motivação para algo é você. Portanto eu não posso motiva-lo para tal.

Poderia listar aqui 1/10/20/1000 motivos para que você pudesse comprar uma bike (se ainda não o fez) e sair pedalando por ai, mas existem vários videos e sites na internet que irão faze-lo.

Achei melhor contar algumas experiencias que tive e o que me motiva a faze-lo. Talvez sirva de aprendizado para você e que possamos trocar experiencias depois deste post.

  • Me tornou mais consciente com o meio ambiente

Por pedalar por entre asfalto e trilhas de terra, estradões e paredões de pedra, entendi que a minha casa é o mundo. Pode parecer tão óbvio, mas muita gente não tem a mínima consciência voltada para isso. Por vezes me deparei no meio do nada e ao olhar para o lado, restos de carvão, latinhas de cerveja já queimadas por conta do sol, embalagens plásticas trazidas pelo vento, beiras de rios sendo utilizados como lavagem de automóveis sem o menor cuidado, sinais de que um dia alguém passou por ali e infelizmente deixou rastros.

A minha casa não se restringe somente ao muro da minha casa, ou à parede do meu apartamento. Ela excede tudo isso, e cada um de nós é responsável pela lixo que produzimos diariamente. Pedalar me fez repensar na forma de como interagimos com o meio ambiente e o que eu poderia fazer para não degrada-lo ainda mais. Hoje, sempre que vejo algo nas trilhas recolho (se assim eu puder), e o lixo que produzo, sempre guardo até encontrar um local adequado para o descarte, seja pedalando, caminhando ou guiando um carro. É extremamente irritante ver uma pessoa jogando lixo por ai, seja por falta de consciência ecológica, ou seja por falta de educação.

  • A não desistir tão fácil das coisas

É duro fazer um pedal de seus 50/80/100 km no meio do sol quente, acordando ainda na madrugada para faze-lo. As vezes você se encontrará no meio de um atoleiro de areia, no meio da lama, subidas com pedras soltas e bastante inclinadas. De fato, não é fácil, mas nem por isso desisti. Sempre que pensei em fazer, reduzi as marchas e fui girando lentamente até vencer o obstáculo. As vezes, o que precisamos é somente isso: dar uma diminuída no ritmo de vida, ver qual a melhor forma de passar por aquele obstáculo sabendo que o sofrimento é temporário, mas a experiência e a vitória fica para a vida inteira.

  • A saber que eu tenho garra

Não tem coisa melhor na vida do que pedalar um longo trecho e no final do pedal, encontrar aquela Serra de Guaramiranga, aquele Pico do Cabugi, o Pão de açúcar com o corcovado em anexo, o Pico da Bandeira, logo ali na sua frente sem ao menos nos serem apresentados. Que lições eu aprendi disso tudo? Que devemos ter persistência e foco no resultado, porque o problema é momentâneo mas a vitória é para a vida inteira. É fantástico olhar a altimetria posteriormente, e ver como eu fui capaz de vencer aquele obstáculo, principalmente quando muitos desistiram pelo caminho. Mude sua tática da próxima vez, se reinvente a cada obstáculo, persista e saiba que você é maior que o que você passa naquele momento, seja no esporte ou em sua vida.

  • Que eu posso contar com outras pessoas

Difícil encontrar um local em que um ciclista não seja acolhido por alguém, principalmente nestes estradões do mundão de Deus. Por quantas vezes pedalando, paramos para pedir água em casas de estranhos, em estradas precisando de algum tipo de ajuda. De fato, o mundo já não é mais o mesmo (como diriam os mais velhos), mas ainda sim existem pessoas de bem. Isso me tornou menos frio para com o próximo e me fez refletir sobre o meu papel enquanto ser humano. Devemos cuidar uns dos outros.

A minha motivação para a escrita deste post, foi de um amigo meu que me questionou sobre esse assunto em outro dia, e creio que eu o tenha feito refletir depois desta conversa. Outro motivo, foi para tentar escrever um conteúdo realmente relevante para você leitor que nos acompanha diariamente, sendo este, o primeiro de vários artigos relevantes aqui no site.

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